Nos Projetos de trabalho não é apenas o professor que decide, mas também os alunos com suas iniciativas e colaborações. O envolvimento dos estudantes
tem uma série de efeitos. Faz com que assumam como seu o tema, aprendendo a situar-se diante da informação. Leva ao envolvimento de outras pessoas
no Projeto. Os alunos descobrem que têm responsabilidade na própria aprendizagem e que não podem esperar o professor oferecer as respostas e soluções
. O professor é visto como um facilitador que transforma as referências informativas em materiais de aprendizagem com uma intenção crítica e
reflexiva. Várias são as estratégias a serem utilizadas para dar início e continuidade a Projetos de Trabalho que podem ser utilizadas em qualquer
área do conhecimento humano.
Na defesa enfática da metodologia de Projetos como forma de trabalho, Santomé (1998) explica que o principal ponto de partida do método de projetos deriva da seguinte reflexão:
“porque não fazer dentro da sala de aula o que se faz continuamente na rua, no ambiente natural verdadeiro?” O importante também nessa perspectiva
é que o processo educacional necessita apoiar-se no interesse dos alunos, além de gerar novos interesses. Existe uma numerosa referência à prática
de integração que pode ser desenvolvida:
• Integração em torno de uma questão da vida prática e diária;
• Integração através de temas, tópicos ou idéias;
• Integração a partir de temas e pesquisas decididos pelos estudantes;
• Integração através de conceitos;
• Integração em torno de períodos históricos e/ou espaços geográficos;
• Integração com base em instituições e grupos humanos;
• Integração em torno de descobertas e invenções;
• Integração mediante áreas do conhecimento.
Trabalhar com projetos integrados pressupõe uma transformação no corpo docente, pois tanto estudantes como professores recuperam a capacidade de decisão.
A necessidade de recorrer-se a inúmeros recursos para o desenvolvimento de determinado projeto facilita a apropriação do conhecimento pelos
alunos que a ele têm acesso. O mais importante é que os alunos possam compreender o mundo em que vivem nas instituições escolares, local em
que podem analisar e comparar com outras pessoas suas opiniões e julgamentos num clima de cooperação e sem autoritarismo, portanto, mais
democrático. Uma das grandes vantagens dessa metodologia é que o corpo docente, dada às exigências do Projeto, é desafiado a abandonar a postura
autoritária, tornando-se também, de certa forma, aprendiz, participando ativamente dos mesmos métodos de descoberta ou de pesquisa propostos aos
estudantes.
Para Santomé com esta metodologia busca-se tornar realidade a relação que deve existir entre as diferentes disciplinas, imprimindo-lhes uma unidade
em que o saber tratado nas salas de aulas passa a ser o mesmo que se usa na vida real. Um planejamento adequado de projetos, segundo Kilpatrick,
citado por Santomé, exige que se considerem três importantes questões: como se realiza a aprendizagem; como a aprendizagem intervém na melhoria
de condições de vida e que tipo de vida é melhor.
De acordo com essa perspectiva o ensino deverá ser organizado de forma a promover uma visão global da realidade, com atividades individuais
e coletivas objetivando a riqueza das interações, a troca de experiências e a aprendizagem significativa.
A adoção de qualquer uma dessas modalidades não elimina a existência de áreas de conhecimento e a experiência com as disciplinas.